Embora inseridas em terras de coronéis, nelas
com vanguarda praticou-se administração
participativa. Para tanto foi necessário um consistente
esforço de capacitação de mão
de obra. Nenhum constrangimento geográfico ou
de orçamento inibiu tais projetos, que incluíram
idas de consultores à Bahia, estadias de técnicos
na Austrália e de mecânicos nos Estados
Unidos, entre outros.
Afranio era muito impressionado
com dois fenômenos que via presentes em abundância
no Nordeste do Brasil: a falta de capacitação
profissional lado a lado com uma fartura de talentos.
Povo sofrido esse, a vida lhes ensina fazer do pouco
muito. Gente fissurada por aprender, qualquer oportunidade
de adquirir técnicas cai-lhes como a chuva sobre
o sertão ressecado.
A empreitada capacitadora
não
se limitou às empresas e aos cursos regulares
para seus mecânicos, soldadores, staff de escritório,
etc. Nos anos 70 criou-se a Escola Manoel Affonso Ferreira
para jovens carentes, com unidades em Teresina, São
Luis e Aracaju. E aqui a palavra carente não
é eufemismo, podendo um exemplo até soar
brincadeira: um candidato não foi admitido porque
sua renda familiar destoava dos outros, a família
era dona de uma vaca.
Tratava-se de réplica das Escolas
Linck, de Porto Alegre. Infelizmente a crise aguda da
construção de infra-estrutura no país
obrigou ao fechamento provisório das escolas
MAF.
Em 2003 os filhos de Afranio decidiram retomar o projeto
de capacitação devidamente adaptado
a uma nova realidade. Ainda com a mesma alma, o mesmo
espirito, mas não
mais pela operação de uma escola. Com
a venda da Bahema Equipamentos a família já
não tem acesso facilitado aos recursos de treinamento
de fábricas, então o IAAF agora propõe-se
a catalizar iniciativas de capacitação
já existentes. Segundo pesquisa da Fundação
Odebrecht igrejas, associações de
bairro e sindicatos mantêm no Brasil 1.686
entidades não-formais (ie, fora do Sistema "S")
de capacitação. É com instituições
desse tipo que o IAAF quer trabalhar. |